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Sobre minha casa

por Manu Marques \




Teve uma época da vida em que minha casa era quase um pit stop.

Eu entrava, largava as coisas, tomava banho correndo e saía de novo.

A vida estava lá fora. As pessoas, os encontros, os barulhos, as promessas.


Hoje… bom, hoje minha casa virou outra coisa.


Depois dos 40, ela deixou de ser cenário e virou personagem principal.

É aqui que meu corpo relaxa.

É aqui que minha cabeça baixa a guarda.

É aqui que posso ser menos interessante, menos produtiva, menos tudo e mais eu mesma.


Não é que sair perdeu o valor, sabe?

Ainda amo um rolezinho no shopping, numa cafeteria por aí...

Mas é que sair perdeu a prioridade.

E aquela vontade de “aproveitar o dia” ganhou um novo significado: ficar em casa sem culpa!


Porque depois de certa idade, conforto vira luxo.

Silêncio vira riqueza.

E se sentir segura dentro do próprio lar vira sinal de que alguma coisa deu certo.


A casa passa a ser extensão da gente.

Do jeito que a gente gosta de acordar.

Do café tomado sem pressa.

Do sofá que conhece o formato do corpo.

Da bagunça que é só nossa.


A gente começa a perceber que não quer mais estar muito em todos os lugares.

Quer estar inteira em poucos. E, no meu caso, dentro da minha casa.


Talvez amadurecer seja isso: trocar o barulho pelo aconchego, a pressa pela rotina, a validação externa pela paz de fechar a porta.


Hoje, minha casa não me prende.

Ela me acolhe.

 
 
 

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