Sobre minha casa
- Sobreviver aos 40
- 9 de fev.
- 1 min de leitura
por Manu Marques \

Teve uma época da vida em que minha casa era quase um pit stop.
Eu entrava, largava as coisas, tomava banho correndo e saía de novo.
A vida estava lá fora. As pessoas, os encontros, os barulhos, as promessas.
Hoje… bom, hoje minha casa virou outra coisa.
Depois dos 40, ela deixou de ser cenário e virou personagem principal.
É aqui que meu corpo relaxa.
É aqui que minha cabeça baixa a guarda.
É aqui que posso ser menos interessante, menos produtiva, menos tudo e mais eu mesma.
Não é que sair perdeu o valor, sabe?
Ainda amo um rolezinho no shopping, numa cafeteria por aí...
Mas é que sair perdeu a prioridade.
E aquela vontade de “aproveitar o dia” ganhou um novo significado: ficar em casa sem culpa!
Porque depois de certa idade, conforto vira luxo.
Silêncio vira riqueza.
E se sentir segura dentro do próprio lar vira sinal de que alguma coisa deu certo.
A casa passa a ser extensão da gente.
Do jeito que a gente gosta de acordar.
Do café tomado sem pressa.
Do sofá que conhece o formato do corpo.
Da bagunça que é só nossa.
A gente começa a perceber que não quer mais estar muito em todos os lugares.
Quer estar inteira em poucos. E, no meu caso, dentro da minha casa.
Talvez amadurecer seja isso: trocar o barulho pelo aconchego, a pressa pela rotina, a validação externa pela paz de fechar a porta.
Hoje, minha casa não me prende.
Ela me acolhe.



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