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Sobre romper com a ideia de perfeição


por Dani Aquino


Iniciar algo sempre é desafiador, ou seria difícil. Ou, na verdade, temos medo do julgamento, de como será o olhar, a análise, o comentário, ou forma como será avaliado tudo aquilo que fazemos. Tudo precisa ser PERFEITO.

 

Já deixei de fazer muitas coisas por acreditar que não era bom, ou que eu não era boa o suficiente, perfeita, para reproduzir, falar, criar algo.

 

A ideia de perfeição não nasce dentro da gente. Ela é aprendida.

 

Aprendemos cedo que dar conta é virtude. Que errar é falha. Que cansaço é falta de organização. Que pedir ajuda é sinal de fraqueza. E que existe sempre um jeito “certo” de viver, se esforçar e escolher. Existe um jeito perfeito.

 

Aliás, hoje, o jeito perfeito é propagado pelas redes sociais, como se fosse algo alcançável, fácil, simples simples. E é exatamente aí que a gente se perde, se compara.

 

Há algum tempo tenho olhado mais pra dentro. Tentando entender minhas potencialidades, entender quem eu sou e tudo o que posso oferecer pra mim, e pro mundo. A ideia é buscar um olhar mais generoso, cuidadoso e honesto, entendendo que a possibilidade de ser perfectível é muito mais real.

 

Romper com a ideia de perfeição, aos quase 40, não é um gesto de rebeldia. É um movimento de maturidade (em construção). Porque, com o tempo, fica mais claro que a vida não é uma linha reta, e que insistir em encaixá-la em padrões rígidos cobra um preço alto, especialmente de nós, mulheres.

 

Perfeição exige desempenho contínuo. E desempenho contínuo consome energia que poderia ser usada para sustentar o que realmente importa: trabalho bem feito, relações honestas, cuidado possível, escolhas conscientes.

 

Aos quase 40, a pergunta deixa de ser “o que esperam de mim?”

E passa a ser “como eu posso ser melhor pra mim!”, focando no que é viável, justo e sustentável.

 

Romper com a perfeição não significa relaxar valores. É entender que fazer bem feito não é o mesmo que fazer tudo. Que constância vale mais do que excesso. Que coerência é mais importante do que aprovação.

 

A maturidade ensina que não existe equilíbrio permanente, mas sim ajuste. E que viver bem não é eliminar falhas, mas aprender a lidar com elas sem se paralisar ou se punir.

 

Talvez o maior aprendizado não seja aceitar a imperfeição, mas parar de gastar energia tentando escondê-la.

 

Viver aos quase 40 é menos sobre acertar sempre e mais so

bre sustentar escolhas possíveis, reais e responsáveis.

 

Sem idealização.

Sem queixa.

Com clareza.




 

 
 
 

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